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quinta-feira, 30 de março de 2017

Ministério Público Federal afirma que Marconi Perillo era “peça central” em esquema de corrupção da Delta



A denúncia do Ministério Público Federal obtido com exclusividade pelo Blog Morgantini.blogspot.com sobre o esquema de corrupção da Delta Construtora em Goiás coloca o governador Marconi Perillo como “peça central” em um esquema que começou em 2011, quando do início de seu Governo em Goiás.
O documento, assinado pelo vice-procurador Geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, é endereçado ao Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, e vem explicando detalhadamente como funcionava a organização criminosa que envolvia o empresário Fernando Cavendish – dono da Delta – seu representante no Centro-Oeste, Claudio Abreu e, ainda, o contraventor Carlos Cachoeira, que é considerado “operador oculto” no esquema que tinha como principal objetivo desviar recursos das obras do Governo de Goiás.
Segundo o Ministério Público Federal apurou, quando Marconi Perillo entrou no Governo de Goiás, as verbas destinadas a obras da Delta tiveram um salto considerável de volume. “Pularam da casa dos R$ 5 milhões para R$ 70 milhões”, afirma.
Para isto, de acordo com a denúncia, havia o direcionamento das obras para a empresa por ordem expressa do governador Marconi Perillo. O vice-procurador geral lista uma série de benefícios que Perillo recebeu para dar preferência à Delta.

                                



Benefícios
Um deles é o pagamento feito por parte da empresa de uma de suas dívidas de campanha no valor de R$ 45 mil. O beneficiado foi Luiz Carlos Bordoni, que é citado na denúncia e elencado como uma das testemunhas que corroboram para o pedido de abertura de processo no STJ. Em troca, segundo a denúncia, haveria a manutenção de um contrato de locação de carros de Delta para o Estado, através da assinatura de um aditivo ao contrato original.
Ainda de acordo com os relatos da denúncia e com base na narração das testemunhas, Marconi Perillo solicitou – através de assessor – ao marqueteiro Luiz Carlos Bordoni o fornecimento de sua conta corrente para a quitação da dívida. Bordoni encaminhou a ligação para sua filha, detentora do número da conta. Ela foi informada de que receberia o total da dívida pela prestação de serviços do pai na campanha vitoriosa de Marconi Perillo.
E então foi neste momento que houve a prova para o MPF de que havia uma relação corrupta entre as empresas fantasmas, criadas para dar cobertura à atuação da Delta e o Governo de Goiás. Isto porque o pagamento feito a Bordoni foi por intermédio de um depósito no valor de R$ 45 mil feito pela Alberto & Pantoja. A empresa é uma das que tiveram maior atuação no esquema. Ela movimentou mais de R$ 20 milhões e sequer tinha um funcionário.
O mesmo caso se repetiu com outra parcela da dívida. E desta vez o processo semelhante foi aplicado, só que com outra empresa já marcada como fantasma no esquema da Delta: a G & C Construções e Incorporações.
Em troca, foi feita a aditivação do contrato de locação de veículos, aumentando em mais 146 carros, com o valor total aumentado em pouco mais de R$ 3 milhões. O acréscimo mais os reajustes do novo aditivo, fez o contrato final pular de R$ 66.170.580,00 para R$ 75.302.955,00.

Conhecimento
A denúncia do Ministério Público Federal aponta que Marconi Perillo tinha “ciência de que o valor dispendido com o contrato de locação, nos moldes como era posto, era desvantajoso para a administração e ilegal por violar o artigo 37 da Constituição Federal”.
O documento conclui que o Governador de Goiás, Marconi Perillo, cometeu os crimes de corrupção passiva (artigo 317 do Código Penal), tendo cometido crime contra a administração pública (previsto no artigo 327) e, por fim, por ter infringido o Artigo 71, que trata dos crimes continuados.

O Vice-Procurador Geral, José Bonifácio de Andrada, pede que o ministro Humberto Martins a abertura de processo, apuração e condenação de Marconi Perillo, Fernando Cavendish e Claudio Abreu.

sábado, 25 de março de 2017

Confiança é fundamental

As diferenças entre a gestão de empresas e a administração pública são abissais. Já não é tão novo o discurso de novos políticos que, para se cacifar diante do eleitor mais desatento, prometem dar à gestão pública o mesmo perfil que dão/dariam a empresas.
Além de ser legalmente impossível, a ocorrência disto significaria um desvio de função das duas atividades: uma empresa visa o lucro, a gestão pública tem como finalidade maior a divisão da arrecadação em forma de ações – sejam obras ou programas – que promovam a elevação da qualidade de vida da população. Uma gestão não tem de gerar lucro, tem de gerar cidadania.
Mesmo assim, ainda há no mito social brasileiro a ideia de que empresários são competentes em gerir estruturas políticas. É o mesmo mito que está inserido no brasileiro de que riqueza financeira é sinônimo de sucesso, boa formação social e educacional e até mesmo integridade de caráter.
A moda, como disse, é antiga, mas volta e meia vem à tona. A última vez que se tornou decisiva não foi em 2016, como muitos podem afirmar. O efeito “João Dória” pelo Brasil afora se deu muito mais por ser alguém supostamente “apolítico” que propriamente por se revestir como um grande administrador.
O prefeito de São Paulo é um exímio marqueteiro pessoal e vem fazendo isto há décadas para escalar o caminho do sucesso na sua vida pública como empresário e comunicador. O mesmo – só que exponencialmente melhor – vem fazendo Silvio Santos e nem por isto o lendário apresentador brasileiro torna-se qualificado para ser um gestor da máquina pública. O ensaio de sua candidatura frustrada nas eleições de 1989 mostra o quanto este tipo de movimento serve como termômetro do quanto estávamos perdidos politicamente. O resultado daquela eleição foi Fernando Collor.
A aparição de um empresário como solução na Política é o sinal do caos.
O sucesso dele numa eleição é a comprovação deste caos.
Mas nem tudo são diferenças entre os dois universos. O mundo empresarial e o ambiente público se coincidem em vários outros pontos. São questões, obviamente, periféricas que remetem muito mais a uma conduta de comportamentos adequados do que uma finalidade similar.
E um deles é bastante claro. Ele versa sobre a valorização de sua equipe.
Empresários, executivos, diretores de grandes instituições e políticos de todas as grandezas sabem que uma das características do Líder – e que o tornam de fato um Líder – é saber confiar nos homens e mulheres que tem à sua volta. Sejam profissionais do setor privado ou servidores de carreira ou comissionados, é fundamental ter confiança na capacidade de cada um, na disposição para o acerto e o sucesso que cada um cede de si mesmo para aquele projeto.
Seja no meio público ou no privado, determinados cargos demandam a abnegação e a dedicação em tempo integral, abrindo mão do lazer, do tempo com os filhos, com os amigos, com a família, com a esposa ou o marido. Não há sucesso numa estrutura como uma cidade ou uma empresa sem estas características.



E é, portanto, missão do Líder motivar, exaltar, incentivar, encorajar, orientar e, sobretudo, confiar na qualificação e capacidade de sua equipe.
Desta forma, soa infeliz e de péssimo senso de liderança a afirmação do prefeito de Anápolis, Roberto Naves, em relação à formação da sua própria equipe. Instado a fazer uma análise de seu grupo pelo radialista Nilton Pereira, na Rádio São Francisco, na última semana, o chefe do Executivo anapolino lamentou não ter mais recursos disponíveis para a contratação de bons profissionais.
“Nossa equipe está formada. Seria bom se pudéssemos trazer nomes de peso na área de administração pública, vindos do TCU (Tribunal de Contas da União), por exemplo, mas nas condições que nós temos, montamos uma equipe qualificada”, disse o prefeito.
O líder, convocado a falar de sua equipe, optou por celebrar ausências.
Ao invés de comemorar a união de um grupo político, preferiu realçar em cores fortes o que falta à equipe. Está boa, mas se tivesse dinheiro, não seriam estes, mas os melhores “do TCU”.
É preciso que se faça uma defesa do grupo que aí está. Se o prefeito Roberto Naves, na condição de líder não é capaz de fazê-lo, que se registre aqui a qualidade dos nomes escolhidos. Em primeiro lugar, são anapolinos em sua maioria com larga convivência na cidade e com atividades enraizadas no município. Não são, em sua grande parte, aventureiros vindos de um tribunal de contas, ou de qualquer outra autarquia para inventar a roda em Anápolis.
Além disto, é fundamental frisar que vários nomes que foram escolhidos “nas condições que temos” vem de administrações de comprovado lastro de sucesso administrativo e político. Afinal, alguns dos quadros escolhidos para o primeiro escalão da gestão Roberto Naves fizeram parte, por exemplo, de gestões como a de Antônio Gomide que, em 2012, obteve 88,9% dos votos válidos.
A força de Gomide evidenciada no resultado eleitoral certamente foi construída a partir do trabalho de sua equipe. E grande parte dos nomes que contribuíram para este sucesso estão – novamente – tendo a chance de contribuir com seus talentos, suas capacidades técnicas e suas disposições, forças de vontade e tudo o que mais sabem fazer de melhor.
Sendo assim, desmerecê-los é um desrespeito com suas capacidades.
Ao contrário de celebrar ausências, que sejam honrados estes nomes que já foram testados e mostraram sua capacidade. Se o prefeito Roberto Naves se sente constrangido em elogiar sua equipe, que seu grupo seja reconhecido e aplaudido, por serem anapolinos – de nascença ou de coração – que neste momento abrem mão de seus fins de semana e horas vagas para se dedicar à cidade e a todos nós.
Que tenham sucesso e que possam ser bem orientados.
Cabe ao Líder orientar, motivar e posicionar as peças adequadas para os lugares certos a fim de fazer a engrenagem andar nos trilhos. Talvez este seja o verdadeiro desafio a ser vencido agora em Anápolis.
E, para este, tanto no mundo empresarial quanto na esfera pública, não tem dinheiro que o forje. O Líder é esculpido, trabalhado aprimorado, mas jamais inventado a partir do sublime Nada.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Câmara derruba veto de emendas no Orçamento, deixa Líder no contrapé e Gestão terá gastos de R$ 16 milhões a mais

A Política tem seus momentos de fascínio. Principalmente, quando o embate se dá por detalhes e, por conta deles, um cenário muda por completo. E foi isto o que ocorreu na manhã desta segunda-feira, 13, no plenário da Câmara Municipal.
Tudo começou quando foi colocado em votação o veto do Executivo às emendas feitas pelos vereadores ao Orçamento 2017. Ainda votado em 2016, as emendas eram de autoria tanto de parlamentares que não conseguiram a reeleição quanto diversos que estavam presentes, com direito a voto.
O líder do Executivo na Câmara, Jakson Charles (PSB), fez a defesa pelo veto por orientação dos interesses do gabinete, uma vez que isso geraria gastos: as emendas, somadas, chegam a representam R$ 16 milhões em investimentos.
O que faltou foi a combinação do Líder com os aliados do prefeito na Câmara Municipal. Isto porque o vereador Jean Carlos, que é do PTB – mesmo partido que Naves – iniciou um processo de lamentação pelo veto, uma vez que, segundo ele, suas emendas são conscientes e se alinham com a necessidade das regiões contempladas. Ao explicar a importância das suas propostas ao orçamento, o petebista puxou um cordel de lamentações de parlamentares que fizeram emendas que, agora, viam o veto ir por água abaixo.
O que não se imaginava é que os discursos da oposição, como do vereador Antônio Gomide e Geli Sanches – esta que também tinha emendas – acabaram por terminar de inflamar os demais vereadores. A tônica das falas era uma só: a limitação da atuação dos vereadores por terem suas propostas barradas.
Com isto, uma onda ganhou a Câmara: a de que o veto deveria ser derrubado.


O líder do prefeito Jakson Charles: defesa ao veto foi vencida pela própria base


Ausente
Estrategicamente, o resultado não poderia ser mais desastroso: o veto foi derrubado por unanimidade da Câmara Municipal, contando, inclusive com o voto do vice-líder do Executivo, Mauro Severiano (PSDB), ele próprio detentor de uma emenda no valor estimado de R$ 3 milhões.
Alterado com o comportamento do núcleo duro do Gabinete Municipal, Jakson Charles nem mesmo votou, abandonando a sessão durante o início da votação. Ele seria o único voto contrário. A partir daí o que se viu foi nervosismo generalizado no grupo governista, com direito a uma sequência de ligações do próprio prefeito a alguns vereadores.
Jakson Charles chegou a entregar a liderança do Executivo a Mauro Severiano e Jean Carlos, ambos integrantes da base mais sólida do prefeito Roberto Naves, mas que acabaram por impulsionar a votação. Assim como Severiano, Jeam tem três emendas que totalizam R$ 2,2, milhões.

Veja as emendas de cada parlamentar, com valores e descriminações:

Autor: Paulo de Lima (PDT) – ex-vereador
2ª etapa do Parque da Jaiara – R$ 3 milhões
Ampliação e reforma do PSF da Alexandrina – R$ 1 milhão
Implementação do campeonato de futebol amador – R$ 300 mil
Reforma do Parque da Matinha – R$ 500 mil
Construção do Hospital da Vila Jaiara – R$ 5 milhões

Autor: Jean Carlos (PTB)
Interligação entre o Polocentro e Adjacências e Morumbi e Adjacências - R$ 200 mil
Interligação viária entre Jaiara e Fabril – R$ 1 milhão
Parque Ambiental da Avenida Leopoldo de Bulhões – R$ 1 milhão

Autor: Geli Sanches (PT)
Reforma das escolas municipais Cora Coralina e José de Assis – R$ 1 milhão

Autor: Mauro Severiano (PSDB)

Interligação viária entre o Filostro Machado e o Recanto do Sol – R$ 3 milhões

quarta-feira, 8 de março de 2017

O Urubu Interior



Em entrevista concedida a uma emissora de rádio, o prefeito de Anápolis, Roberto Naves, saiu-se com uma frase que é, no mínimo, curiosa. Diz o prefeito que a oposição é feita em parte por “urubus de plantão”, que são pessoas ou grupos que torcem para tudo dar errado, que ficam de olho em sua gestão como um exemplar do tal “abutre do novo mundo”.

A afirmação é, de cara, interessante porque o animal escolhido na analogia zoomórfica do prefeito é um Urubu. Ao classificar a oposição de urubu, ele automaticamente dá a chancela de carniça à sua gestão até aqui. Afinal, os urubus não se alimentam de outra coisa se não animais e frutas em decomposição.
Isto é o Freud chama de “Ato Falho”.
E é bem isto que, precocemente, vê-se acontecer com a gestão pública de Anápolis: trata-se de uma fruta fresca fora da geladeira. Tão precocemente se deteriorando à vista de todos.
Mas há, ainda, outros pontos curiosos na declaração: a intolerância à oposição. Quem não concorda com os desmandos e atos confusos do líder do Executivo e seu grupo de secretários torna-se um “urubu de plantão”. Milôr Fernandes dizia que “jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.
Roberto Naves espera que todos se comportem como itens de um grande armazém de secos e molhados. Por enquanto, só alguns tem sido assim. E começa a sair cada vez mais caro. Para os dois lados.
Por fim, é imprescindível que o prefeito identifique onde estão os urubus, de fato. Se estão de fora, olhando a putrefação ocorrer e “torcendo” para que o animal vivo vire carniça e possa se tornar alimento ou se o grande problema até o agora são os “urubus interiores”, ou seja, aqueles que, de dentro para fora, vem fazendo tudo dar errado.
Afinal, não foi um opositor político que cortou as gratificações e horas-extras dos servidores.
Não foi um urubu-de-cabeça-preta quem nomeou assessor especial um sujeito três vezes delatado por fraudes em licitação na cidade de Campinaçu.
Não foi um urubu-branco quem nomeou um secretário com carteira vencida para tomar conta do trânsito, ou outro que é acusado de agredir a socos e unhadas um empresário dentro de autarquia pública.
Não é, certamente, um abutre do novo mundo que vem derrapando numa gestão em tempo recorde.
O Prefeito Roberto Naves precisa entender que ele não é a cidade, ele não é a população, e que este absolutismo tem levado muita gente ao buraco há anos e Anápolis é um poço destes exemplos. Torcer pela cidade não é torcer para que os desmandos deem certo, nem mesmo compactuar com o errado. Torcer pela cidade jamais deve ser acobertar absurdos como os citados acima.
A gestão Roberto Naves precisa se preocupar com a peçonha que a deteriora de dentro para fora. E só então compreender que urubus não voam em cima de carne viva e boa.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Os sorridentes bovinos vão felizes cantando na fila do abatedouro



Henrique Morgantini

A notícia da semana, além da terrível queda do avião na Colômbia, do anúncio da venda da Celg para a Enel Brasil e das votações do Pacote Anticorrupção e da temerosa PEC 55/241 (a do fim do mundo), foi outra. E passou longe dos holofotes e das disputas ideológicas e políticas com larga cobertura da imprensa.
A notícia da semana, possivelmente do ano, da década e do século, já que pode haver um impacto em larga escala e a longo prazo no cenário econômico brasileiro é a sanção da lei pelo presidente Michel Temer tirando a obrigatoriedade da Petrobras em explorar o Pré-Sal nacional sozinha.
Há um eufemismo clamoroso na afirmação e em como ela é repassada à população. Porque “retirar a obrigatoriedade” é, na verdade, tirar a exclusividade. Que, por fim, significa permitir que petrolíferas internacionais – com ênfase às americanas – possam vir aqui retirar e explorar estas riquezas.
Estamos abrindo para as gigantes do capital estrangeiro a chance de explorar e retirar de nosso subsolo o nosso maior patrimônio desde o Pau Brasil e o Ouro. Passados quatro séculos, nada mudou na relação colonialista do Brasil com o mundo exterior: seguimos sendo explorados e saqueados. E, agora, permitindo isto com ares de “coisa boa”.
Tão impressionante quanto a notícia em si é a versão dada pelo Governo Federal para a decisão. Segundo o presidente Temer, a decisão é um benefício ao Brasil uma vez que vai permitir a inserção de capital internacional para a criação de empregos. Ou seja: seremos uma versão remunerada dos índios e escravos que, cada um a seu tempo, ajudou portugueses, ingleses, holandeses, franceses e outros a retirar matéria prima da colônia para a manufatura na Sede da Matrépole.
Parece exagero? Não, não é. Nada mudou no cerne da relação imperialista entre a Colônia e a Metrópole.
As diferenças entre as duas situações, do passado longínquo aos tempos atuais de opinião pública afiada e presente nas redes sociais foram corrigidas com estratégias de Comunicação recorrentemente utilizadas para esta finalidade. Assim como os alemães apoiaram maciçamente os avanços genocidas de Hitler, os americanos aplaudiram os cogumelos atômicos nas cidades japonesas, tudo ficou comprovado ser uma questão de ponto de vista. Com a explicação específica toda verdade amarga e cruel fica doce e necessária
Com uma rápida passada pelas opiniões dos perfis Facebook relacionadas ao tema se torna possível compreender como somos todos nós bovinamente convencidos que o nosso melhor lugar é o abatedouro.
Para grande parte das opiniões favoráveis à abertura das riquezas à exploração internacional – assim como Temer justificou com a criação de empregos e salários para os brasileiros – não adianta ter um Pré-Sal rico, mas com a Petrobras “quebrada” ou, ainda, políticos corruptos à frente da estatal desviando todo o dinheiro. 
Mas, deixe o Facebook para lá. Converse com as pessoas em seu círculo de amizades e relações. Veja como vai haver o mesmo senso de opinião: de que adianta jogar dinheiro na Petrobras se lá é o ralo da corrupção? Para que esperar pela Petrobras se ela está quebrada? É um senso comum do brasileiro médio imaginar que a Petrobras não tem dinheiro para adquirir um Gol Quadrado, então, como poderia investir para retirar os bilhões de dólares na forma de riquezas minerais do Pré-Sal?
A lógica da inutilização dos processos por conta da existência de políticos bandidos promovendo o “ralo da corrupção” é a mesma lógica de que, se você tem um carro e ele apresenta um defeito, o melhor a fazer é vendê-lo ao ferro velho como sucata. Consertá-lo trocando a peça defeituosa está fora de cogitação.
O curioso é que, com o próprio carro, ninguém aprova uma sandice dessas.
Parece estranho, não?
A maciça Comunicação estratégica que temos recebido em todos os níveis de acesso, seja rádio, TV ou internet são promovidos pelos mesmos grupos. Se você não lê o jornal X, você acessa ao portal do Grupo X. Ou ouve uma rádio do grupo X. As emissoras menores, que copiam notícias ou que assinam o direito de pegar informações das agências de notícias, pegam as informações da agência... X.
Em resumo: há uma mesma vertente de informação disseminada por diversas formas, sejam as mais tradicionais (jornais impressos e rádios) ou as mais modernas (sites e portais).
O resultado disto é que nos últimos anos a Petrobras vem sendo bombardeada com notícias de um sucateamento político, fruto de más gestões, desvios e corrupções. Os defeitos do carro foram identificados, mas ao invés de serem sanados com a troca imediata das peças e circuitos inteiros que estão queimados, estamos simplesmente condenando toda o veículo. O carro, no caso, é a Petrobras.
Não se trata do que é, mas sim, do que querem que você ache que seja.
A solução para o Brasil seguir andando, agora, é pegar o carro de outro. Com o outro dirigindo. A Petrobas, coitada, não tem dinheiro para um fim de semana em Caldas Novas.
Mas, na verdade, é isto que querem que o Brasil assuma como verdade. Os políticos estão condenados ao desvio de caráter sumário, a estatal brasileira (ainda uma das maiores do mundo) não tem dinheiro para pagar um almoço de “prato-feito” e, portanto, a solução é acreditar em empresários, empresas e gigantes internacionais.
Um exemplo derradeiro desta relação foram as eleições municipais deste ano. Políticos, independentemente da origem, do currículo e dos serviços prestados, foram rechaçados peremptoriamente. No lugar deles, o eleitor passou a acreditar em... empresários. Os empresários não-políticos se tornaram uma casta moral e de caráter como se um caçador de lucro(que é o que é um empresário por definição)tivesse mais compromisso de gestão pública que qualquer outro ser humano. É a sublimação da ironia e do paradoxo.
Agora, não satisfeitos, já à beira do abismo, damos um passo à frente: estamos sendo convencidos de que são os megaconglomerados estrangeiros que podem promover o bem ao nosso povo e ao nosso desenvolvimento. São as Exxon, Chevron e Phillips 66 que, incólumes à corrupção – a que promovem ou a que podem ser submetidas – vão vir ao Brasil fazer o bem: gerar emprego e renda.
É como esperar que o Urubu da Caatinga torça para que o Boi sobreviva. E que fique bem.
Michel Temer quer que você saiba que ele tem a certeza de que o Urubu torce pelo Boi. Ele nos disse isso esta semana: “Sinto que estamos praticando um ato em benefício do Brasil, na medida em que permitimos outros setores, estamos também ampliando a margem de empregos”. Foi o que disse o presidente.
E sorridentes os bovinos vão felizes cantando na fila do abatedouro.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A união de Ronaldo Caiado e Iris Rezende é a mescla de tudo o que o eleitor não quer em Goiás



Por que?

Porque curiosamente estas são as duas trajetórias mais antagônicas do Estado, mas que se misturam justamente ao representar – a seu modo – o que há de mais atrasado em termos de imagem e pensamento político. Ronaldo Caiado é um político de grupo, de defesa sistemática dos latifúndios com um sectarismo que muitas vezes o coloca em lados opostos aos anseios sociais da coletividade. Além disto, é o sobrenome ativo na política que mais mostra o ideário de “clã” e do tempo das oligarquias familiares que misturavam política com poder financeiro e influência social. 

Iris é o nome dos mutirões, da luta popular, da bandeira da redemocratização. Alia-se por interesse político e desespero para formação de uma chapa com tudo aquilo que passou a vida combatendo nas urnas e fora delas. Aos 80 anos, poderia reavivar sua história e experiência deixando um legado para a nova geração ao se unir com políticos mais jovens dentro ou fora de sua legenda. Seria uma espécie de totem vivo e ativo na formação política e – quem sabe – o principal alicerce no Governo de Goiás a partir de 2015.

Mas, não. Iris preferiu bancar-se aos 80 anos – é preciso frisar – ele mesmo como a imagem do “novo”. E uniu-se a Caiado que detém conceitos políticos ainda mais velhos que as práticas iristas já bastante datadas.

Rezende começou a perder eleições estaduais em 1998 quando foi-lhe imposta a imagem e o conceito de ultrapassado, velho. De lá pra cá, não parou de ser derrotado por Marconi Perillo algoz de suas derrotas e deste conceito que lhe colou fortemente. Perillo usou a mesma fórmula de 1998 em todos os anos que precisou enfrentar Iris e o PMDB: as práticas velhas, desgastadas, cansadas demais para gerar o bem estar da população.

O que o eleitor pediu, sonhou e contou em pesquisas sobre a vontade de querer algo novo, de esperar por mudanças, definitivamente não está representada por uma aliança de Caiado e Iris.

Passaram-se 16 anos até este 2014 e mais do que envelhecer na idade e na aparência – ciclo ao qual estamos todos fadados – Iris Rezende parece ter envelhecido ainda mais e mais em décadas de atraso políticos em práticas e conceitos. O abraço a Ronaldo Caiado é comprovação de que sua ideia de novo está ainda mais antiga do que aquela que Marconi Perillo – genialmente – batizou de “panelinha”.

A panela, agora, está mais gasta do que nunca.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

PMDB: confusão nos bastidores e muito jogo de cena para a plateia

Iris está fora e Junior é o pré-candidato do partido. Não, Júnior está fora e Iris é o candidato. Júnior vem aí novamente. Iris vem aí novamente. Estas são algumas das afirmações já feitas sobre quem será o nome do PMDB para as eleições em Goiás este ano. De todas as possibilidades aventadas simplesmente todas já foram concretizadas e uma desdita pela outra sistematicamente. Este é o resumo do PMDB goiano que vive um intenso movimento de indecisão, confusão e falta de unidade. Até a semana passada, quando deu-se a saída de Júnior Friboi, tudo parecia encaminhar para que Iris Rezende novamente fosse o nome a unir a legenda e tornar-se ele mesmo pela terceira vez candidato ao Governo de Goiás para enfrentar Marconi Perillo, numa luta que parece muito mais uma vingança pessoal que uma corrida eleitoral. No entanto, já cresce o movimento nos bastidores do partido pela volta de Friboi às lides e ao comando de seus aliados que estão longe de retornarem a formação e uma base com Iris Rezende. A tradução das movimentações de ambos os nomes peemedebistas é um grande cabo-de-guerra. Ao se manifestarem afastados da corrida eleitoral neste período nada mais fazem que jogar um charme para os quadros do PMDB: querem ser reconhecidos e chamados de volta à cena, o que lhes conferiria mais importância. Acontece que se de um lado a cada movimento, os grupos aliados de um e de outro saem fortalecidos porque comprova-se que os dois lados são fundamentais para o sucesso eleitoral, por outra via, a cada nova lavada de roupa suja pública, o PMDB deixa um único recado para o eleitor e para os demais partidos aliados: está rachado profundamente e bem longe de sequer chegar perto do entendimento. E já que tem de ir à eleição, vai assim mesmo, partido ao meio e sem um lado querer apoiar o outro. Um desdobramento deste esfacelamento está na decisão de alguns partidos menores que estavam aliançados com o PMDB de Friboi em não mais realizar reuniões sem que estejam à mesa tanto Júnior como Iris. Querem o impossível, é verdade, mas é a única maneira de saberem com quem estão de fato negociando e quem é que de fato manda do partido. Porque a cada instante aparece um para dizer que decide pelo partido. E isto muda de tempo em tempo. Esta manifestação é o recado que os partidos dão ao PMDB e pode ser também uma prévia de como o eleitor vai interpretar estas movimentações aleatórias, indecisas. A semana promete mais uma rodada de negociações e até o momento, nem Iris se assumiu candidato e nem Friboi sinalizou com um possível retorno às lides. Ambos ficam na espera de quem vai ceder para apoiar o outro. Enquanto isso, é possível ver de longe da fumaça da fogueira das vaidades queimando a representatividade e a confiabilidade do partido que se autoconclama ser a principal legenda da oposição do Estado.