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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Roberto Naves assume comunicação e ataca de prefeito-repórter para se aproximar da população



A Comunicação sempre foi um desafio desde o início da gestão do prefeito de Anápolis, Roberto Naves. Sem uma estratégia definida e sem nem mesmo uma referência no setor, que conta com diversos assessores especiais, mas nenhum secretário, Naves vem acumulando profissionais desde os primeiros dias, promovendo trocas, mas ainda derrapando nos resultados.
A mais recente tentativa é, no mínimo, curiosa: o próprio prefeito assumiu a dianteira da Comunicação e está se bancando como repórter. Nas redes sociais, vem apresentando obras, entrevistando técnicos e fazendo aquilo que queria que fizessem com ele. Dentro do lema “Faça você mesmo”, Naves abre mão da condição de gestor para dividir seu tempo como apresentador.
Professor de ofício, Naves mostra desenvoltura e, com isto, busca atingir outra estratégia: imitar o prefeito de São Paulo, João Dória. Conhecido na comunicação e como apresentador de programas, Dória grava diariamente diversos vídeos sobre política eleitoral e também sobre suas ações na gestão municipal.
Diferente de Dória, no entanto, Roberto Naves luta contra um outro desafio: o anonimato. Enquanto o prefeito já era alguém conhecido por suas aparições em shows de TV, Roberto Naves ainda precisa ser apresentado como prefeito em diversos ambientes da cidade, principalmente nos bairros mais distantes do epicentro da política municipal.
Ele espera que, com os vídeos, sua imagem também repercuta junto à população e ele se torne conhecido como o ex-Roberto do Órion e atual Naves, prefeito da cidade de Anápolis. Já foram gravados cinco vídeos do prefeito pelas ruas da cidade.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A lâmpada de Diógenes e o mito de honestidade

Há em Anápolis um movimento denominado “Eu sou do Bem, eu sou de Deus”, que exalta como parte de sua programação a distribuição de um mimo chamado “Lâmpada de Diógenes”. Desde o início desta campanha, integrantes do movimento têm distribuído a tal “lâmpada de Diógenes” a lideranças e a políticos.
Quando da visita do governador Marconi Perillo (PSDB) a Anápolis, o prefeito Roberto Naves (PTB) instigou o grupo ligado ao movimento que levasse pessoalmente para o Palácio das Esmeraldas uma das lamparinas de Diógenes que são, em nome da modernidade, de Led. Ou seja: é para durar mesmo.
O próprio Naves recebeu uma dela e exaltou sua “importância”.
Disse ter colocado em sua sala de trabalho.
Na última semana, vereadores receberam a Lâmpada de Diógenes. A agenda recebeu inclusive destaque no site da Câmara. Os vereadores Leandro Ribeiro (PTB), Professora Geli Sanches (PT) e Fernando Paiva (PTN) foram os responsáveis por receber o objeto.
O que chama a atenção – e desperta dúvida – é saber se os receptores do presente sabem o que significa a lâmpada e quem foi Diógenes.
Certamente que não.
Diógenes foi um filósofo grego. Socrático, optou por se tornar mendigo e morava num barril, como o Chaves do SBT. Sua história ficou conhecida porque, ao se mudar para Atenas, diz a lenda que andava pelas ruas da cidade durante o dia com uma lamparina acesa, como se alta noite fosse. Perguntado o porquê dele fazer aquilo, Diógenes respondia:

– Estou à procura de um único homem honesto nesta cidade.

A lamparina foi parar dentro do gabinete do prefeito Roberto Naves, na Câmara Municipal e, se depender da sugestão do prefeito, também deve iluminar o gabinete do governador de Goiás.
E em todos os lugares, a lâmpada de Led de Diógenes – que nunca apaga – quer cumprir uma única missão: encontrar um homem honesto.
Os políticos anapolinos estão recebendo a lamparina como uma honraria.
A História mostra que não é exatamente esta a mensagem. E que, na verdade, trata-se um presente.

De grego, literalmente.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Prefeitura contrata empresa criada em fevereiro para realizar Jogos Abertos ao valor de R$ 65 mil, mas sede fica em distribuidora de Gás de Cozinha

A Prefeitura de Anápolis realizou processo licitatório em maio deste ano pela modalidade de convite para contratar uma empresa “especializada em eventos esportivos”. O objetivo da contratação é que a vencedora fique responsável pela organização e realização da 27ª edição dos Jogos Abertos de Anápolis.
A vencedora do processo, publicado no dia 12 de Maio, foi a empresa Excelsior Serviços e Eventos. A empresa receberá R$ 65.026,50 para cumprir o contrato. Vencida a fase de questionamentos, como não houve outro grupo que questionasse o processo, a licitação foi homologada em 02 de junho.



O curioso é que a empresa Excelsior, que se denomina especializada na realização de “serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas”, tem sede na Avenida Juscelino Kubistchek, em Anápolis. Só que o número indicado é onde funciona uma conhecida empresa da cidade: a MouraGás, uma distribuidora de Gás. 
Criada em 02 de fevereiro deste ano, de acordo com documento de registro, a Excelsior possui em seu endereço a indicação do número, seguido de “sala 01”. No entanto, a fachada da empresa no endereço é de outra companhia, a “Chama Viva Comércio de Gás”, cujo nome fantasia é MouraGás. A empresa se tornou conhecida por conta de Josmar Moura, que foi candidato a prefeito em 2008 e a vereador em 2016, usando o nome “Josmar Mouragás”. Hoje, Josmar hoje se intitula como diretor comercial da distribuidora. Ele não obteve êxito em nenhuma das eleições.
Além de empresário e político, Josmar Moura é, também, radialista. Ele mantém um programa na mesma emissora em que o vice-prefeito, Márcio Cândido, foi diretor-geral antes de ser candidato em 2016.




O nome de Josmar “MouraGás” não está no quadro societário da empresa cujo nome de registro é Chama Viva Comércio de Gás. Quem é sócio desta empresa é o mesmo dono da Excelsior, Daniel Moura. Ambas são localizadas no mesmo endereço. Josmar, por sua vez, é proprietário de terceira empresa, no segmento de “comércio varejista de gás liqüefeito de petróleo”. Assim como as duas anteriores, esta fica no mesmo endereço da “Chama Viva” e da “Excelsior”.
Os Jogos Abertos, que estão sendo realizados pela empresa vencedora Excelsior, começaram em final de abril e terminam neste domingo (02).

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O coro dos gladiadores e o silêncio que faz eco



A Ordem dos Advogados do Brasil possui uma atuação efetiva na defesa dos grandes interesses da população ao longo de sua história. É fato, um tanto natural, que a entidade pode fraquejar aqui e ali pelas tempestades políticas e se tornar um instrumento de interesse pessoal de um representante ou de um pequeno grupo. Isto é raro, mas acontece e, em havendo, é – como dito – natural. Afinal, isto é próprio do processo democrático ao qual nos submetemos como sociedade. Não há entidade que atinja um patamar de força social e representatividade que não seja alvo da cobiça daqueles que a querem usar como trampolim.
No entanto, é preciso não se agarrar a ausências ou falhas, mas, em oposto, celebrar as boas ações e os grandes feitos de homens e mulheres à frente de entidades de classe, ordens, sindicatos e toda a sorte de grupo com interesse em grandes causas sociais que vem escrevendo a História da Democracia e do Povo do Brasil. A luta pelos direitos da coletividade, muitas vezes, só se dá pela contenda. O regime democrático, por si próprio, é fruto de conquista e não de uma concessão.
A Democracia e o Direito do Cidadão jamais foi lhe concedido como presente.
Assim, acredita ser pautada a imprensa. Assim, acredita ser pautada esta Voz de Anápolis. Desde o primeiro aceno em questionar o aumento abusivo e inesperado da Taxa de Serviços Urbanos por parte da OAB – Anápolis, A Voz de Anápolis vem dando ampla cobertura ao que parecia ser, por parte da entidade, uma alternância do cumprimento de sua agenda particular dos interesses exclusivos dos advogados para se tornar também uma voz de defesa da coletividade.
Mas, infelizmente, não foi desta vez.
Após ameaçar questionamentos na Justiça, a OAB foi chamada às falas pelo prefeito Roberto Naves que, é preciso que se diga, cumpre o seu papel como agente político na defesa de sua tese. Isto é de se esperar. O que acabou por se tornar surpreendente foi a atitude de recuo da OAB em seguir defendendo – ou ao menos questionando – os interesses comuns de todos os anapolinos, remetendo publicamente uma série de explicações desencontradas. Alegou falta de informações sobre o ajuste da TSU por parte da prefeitura, precaução em promover o diálogo antes de partir para a contenda judicial e até mesmo, certamente a mais inusitada delas: a não submissão da entidade a “pressões políticas ou ao coro dos gladiadores”.
O desencontro de versões de diversos agentes públicos responsáveis em falar pela OAB é próprio das cortinas de fumaça que visam mais a confundir que a esclarecer.
Mas, a quais pressões políticas a OAB se submete, afinal? O texto original, ou “rascunho” como foi classificado o documento ao qual tivemos acesso com exclusividade, assinado pelo competente Breno Massa, vice-presidente da Comissão de Direito Tributário, configurava-se em um incisivo, porém justo, questionamento de diversas questões sobre a TSU. Mas, por fim, a direção da entidade acabou por enfiá-lo ao arquivo e terminar sua desventura sobre o tema emitindo um “Termo de Compromisso” ao qual alinha-se com a cobrança, sob protestos de que no futuro será diferente. Mais precisamente na cobrança de 2018.
Em nota emitida a um repórter, um representante da OAB – Anápolis classificou a postura de A Voz de Anápolis como tendo um viés político e afirma que a OAB não se une ao “coro dos gladiadores”.
É bem verdade. A Voz de Anápolis, sim, se une ao coro.
Mais precisamente, ao coro das milhares de vozes roucas da ruas que gritam por já não suportar o aumento de impostos sem justificativa social, sem retorno, sem ver de volta um aceno de esperança de melhorias.
Ao coro dos anapolinos que viram na OAB – Anápolis uma fina luz de esperança pela fresta da injustiça de promover-se um aumento que em alguns casos supera a cada dos 150% em meio a uma recessão que coloca o Brasil em estado de depressão financeira.
Todo cidadão, veículo de comunicação que tenha interesse em se alinhar com o povo, está também do lado deste coro. São gladiadores que lutam, em campo aberto e diante dos olhos apreensivos da arena, por causas em que acreditam, na defesa da coletividade. Os gladiadores estão pisando na terra, sob o sol, e jamais fazendo acordos e termos sob a luz fosforescente dos gabinetes e na pressão do ar refrigerado.
A OAB – Anápolis perde a chance de se unir ao coro do povo, dos gladiadores que estão interessados em combater cobranças abusivas e injustificadas. E opta por se unir ao recuo de outras entidades, estas com claros interesses comerciais próprios de sua finalidade.
A OAB desta cidade perde, mais uma vez, a chance de se submeter à população e ao seu coro cansado. E segue soberana e firme cumprindo sua agenda de interesses próprios em seu universo particular.
A OAB – Anápolis perde a chance agora. Mas sempre terá uma nova oportunidade de ser vista como se apresenta ao povo no documento que assinou junto à Prefeitura de Anápolis: “a maior entidade representativa da Sociedade Civil Organizada”.

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Em tempo: que se registre a resignação de parte dos integrantes de advogados, alguns integrantes das comissões da OAB que tiveram contato e participação com o tema do questionamento da TSU de Anápolis e que demonstraram, internamente e em diálogos de grupos de whatsapp, seu descontentamento com a atitude unilateral da direção da entidade em firmar o acordo sem o compartilhamento da decisão com demais integrantes. A transparência e a participação de todos os agentes envolvidos em uma causa são um dos princípios basilares da democracia.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Ministério Público Federal afirma que Marconi Perillo era “peça central” em esquema de corrupção da Delta



A denúncia do Ministério Público Federal obtido com exclusividade pelo Blog Morgantini.blogspot.com sobre o esquema de corrupção da Delta Construtora em Goiás coloca o governador Marconi Perillo como “peça central” em um esquema que começou em 2011, quando do início de seu Governo em Goiás.
O documento, assinado pelo vice-procurador Geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, é endereçado ao Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, e vem explicando detalhadamente como funcionava a organização criminosa que envolvia o empresário Fernando Cavendish – dono da Delta – seu representante no Centro-Oeste, Claudio Abreu e, ainda, o contraventor Carlos Cachoeira, que é considerado “operador oculto” no esquema que tinha como principal objetivo desviar recursos das obras do Governo de Goiás.
Segundo o Ministério Público Federal apurou, quando Marconi Perillo entrou no Governo de Goiás, as verbas destinadas a obras da Delta tiveram um salto considerável de volume. “Pularam da casa dos R$ 5 milhões para R$ 70 milhões”, afirma.
Para isto, de acordo com a denúncia, havia o direcionamento das obras para a empresa por ordem expressa do governador Marconi Perillo. O vice-procurador geral lista uma série de benefícios que Perillo recebeu para dar preferência à Delta.

                                



Benefícios
Um deles é o pagamento feito por parte da empresa de uma de suas dívidas de campanha no valor de R$ 45 mil. O beneficiado foi Luiz Carlos Bordoni, que é citado na denúncia e elencado como uma das testemunhas que corroboram para o pedido de abertura de processo no STJ. Em troca, segundo a denúncia, haveria a manutenção de um contrato de locação de carros de Delta para o Estado, através da assinatura de um aditivo ao contrato original.
Ainda de acordo com os relatos da denúncia e com base na narração das testemunhas, Marconi Perillo solicitou – através de assessor – ao marqueteiro Luiz Carlos Bordoni o fornecimento de sua conta corrente para a quitação da dívida. Bordoni encaminhou a ligação para sua filha, detentora do número da conta. Ela foi informada de que receberia o total da dívida pela prestação de serviços do pai na campanha vitoriosa de Marconi Perillo.
E então foi neste momento que houve a prova para o MPF de que havia uma relação corrupta entre as empresas fantasmas, criadas para dar cobertura à atuação da Delta e o Governo de Goiás. Isto porque o pagamento feito a Bordoni foi por intermédio de um depósito no valor de R$ 45 mil feito pela Alberto & Pantoja. A empresa é uma das que tiveram maior atuação no esquema. Ela movimentou mais de R$ 20 milhões e sequer tinha um funcionário.
O mesmo caso se repetiu com outra parcela da dívida. E desta vez o processo semelhante foi aplicado, só que com outra empresa já marcada como fantasma no esquema da Delta: a G & C Construções e Incorporações.
Em troca, foi feita a aditivação do contrato de locação de veículos, aumentando em mais 146 carros, com o valor total aumentado em pouco mais de R$ 3 milhões. O acréscimo mais os reajustes do novo aditivo, fez o contrato final pular de R$ 66.170.580,00 para R$ 75.302.955,00.

Conhecimento
A denúncia do Ministério Público Federal aponta que Marconi Perillo tinha “ciência de que o valor dispendido com o contrato de locação, nos moldes como era posto, era desvantajoso para a administração e ilegal por violar o artigo 37 da Constituição Federal”.
O documento conclui que o Governador de Goiás, Marconi Perillo, cometeu os crimes de corrupção passiva (artigo 317 do Código Penal), tendo cometido crime contra a administração pública (previsto no artigo 327) e, por fim, por ter infringido o Artigo 71, que trata dos crimes continuados.

O Vice-Procurador Geral, José Bonifácio de Andrada, pede que o ministro Humberto Martins a abertura de processo, apuração e condenação de Marconi Perillo, Fernando Cavendish e Claudio Abreu.

sábado, 25 de março de 2017

Confiança é fundamental

As diferenças entre a gestão de empresas e a administração pública são abissais. Já não é tão novo o discurso de novos políticos que, para se cacifar diante do eleitor mais desatento, prometem dar à gestão pública o mesmo perfil que dão/dariam a empresas.
Além de ser legalmente impossível, a ocorrência disto significaria um desvio de função das duas atividades: uma empresa visa o lucro, a gestão pública tem como finalidade maior a divisão da arrecadação em forma de ações – sejam obras ou programas – que promovam a elevação da qualidade de vida da população. Uma gestão não tem de gerar lucro, tem de gerar cidadania.
Mesmo assim, ainda há no mito social brasileiro a ideia de que empresários são competentes em gerir estruturas políticas. É o mesmo mito que está inserido no brasileiro de que riqueza financeira é sinônimo de sucesso, boa formação social e educacional e até mesmo integridade de caráter.
A moda, como disse, é antiga, mas volta e meia vem à tona. A última vez que se tornou decisiva não foi em 2016, como muitos podem afirmar. O efeito “João Dória” pelo Brasil afora se deu muito mais por ser alguém supostamente “apolítico” que propriamente por se revestir como um grande administrador.
O prefeito de São Paulo é um exímio marqueteiro pessoal e vem fazendo isto há décadas para escalar o caminho do sucesso na sua vida pública como empresário e comunicador. O mesmo – só que exponencialmente melhor – vem fazendo Silvio Santos e nem por isto o lendário apresentador brasileiro torna-se qualificado para ser um gestor da máquina pública. O ensaio de sua candidatura frustrada nas eleições de 1989 mostra o quanto este tipo de movimento serve como termômetro do quanto estávamos perdidos politicamente. O resultado daquela eleição foi Fernando Collor.
A aparição de um empresário como solução na Política é o sinal do caos.
O sucesso dele numa eleição é a comprovação deste caos.
Mas nem tudo são diferenças entre os dois universos. O mundo empresarial e o ambiente público se coincidem em vários outros pontos. São questões, obviamente, periféricas que remetem muito mais a uma conduta de comportamentos adequados do que uma finalidade similar.
E um deles é bastante claro. Ele versa sobre a valorização de sua equipe.
Empresários, executivos, diretores de grandes instituições e políticos de todas as grandezas sabem que uma das características do Líder – e que o tornam de fato um Líder – é saber confiar nos homens e mulheres que tem à sua volta. Sejam profissionais do setor privado ou servidores de carreira ou comissionados, é fundamental ter confiança na capacidade de cada um, na disposição para o acerto e o sucesso que cada um cede de si mesmo para aquele projeto.
Seja no meio público ou no privado, determinados cargos demandam a abnegação e a dedicação em tempo integral, abrindo mão do lazer, do tempo com os filhos, com os amigos, com a família, com a esposa ou o marido. Não há sucesso numa estrutura como uma cidade ou uma empresa sem estas características.



E é, portanto, missão do Líder motivar, exaltar, incentivar, encorajar, orientar e, sobretudo, confiar na qualificação e capacidade de sua equipe.
Desta forma, soa infeliz e de péssimo senso de liderança a afirmação do prefeito de Anápolis, Roberto Naves, em relação à formação da sua própria equipe. Instado a fazer uma análise de seu grupo pelo radialista Nilton Pereira, na Rádio São Francisco, na última semana, o chefe do Executivo anapolino lamentou não ter mais recursos disponíveis para a contratação de bons profissionais.
“Nossa equipe está formada. Seria bom se pudéssemos trazer nomes de peso na área de administração pública, vindos do TCU (Tribunal de Contas da União), por exemplo, mas nas condições que nós temos, montamos uma equipe qualificada”, disse o prefeito.
O líder, convocado a falar de sua equipe, optou por celebrar ausências.
Ao invés de comemorar a união de um grupo político, preferiu realçar em cores fortes o que falta à equipe. Está boa, mas se tivesse dinheiro, não seriam estes, mas os melhores “do TCU”.
É preciso que se faça uma defesa do grupo que aí está. Se o prefeito Roberto Naves, na condição de líder não é capaz de fazê-lo, que se registre aqui a qualidade dos nomes escolhidos. Em primeiro lugar, são anapolinos em sua maioria com larga convivência na cidade e com atividades enraizadas no município. Não são, em sua grande parte, aventureiros vindos de um tribunal de contas, ou de qualquer outra autarquia para inventar a roda em Anápolis.
Além disto, é fundamental frisar que vários nomes que foram escolhidos “nas condições que temos” vem de administrações de comprovado lastro de sucesso administrativo e político. Afinal, alguns dos quadros escolhidos para o primeiro escalão da gestão Roberto Naves fizeram parte, por exemplo, de gestões como a de Antônio Gomide que, em 2012, obteve 88,9% dos votos válidos.
A força de Gomide evidenciada no resultado eleitoral certamente foi construída a partir do trabalho de sua equipe. E grande parte dos nomes que contribuíram para este sucesso estão – novamente – tendo a chance de contribuir com seus talentos, suas capacidades técnicas e suas disposições, forças de vontade e tudo o que mais sabem fazer de melhor.
Sendo assim, desmerecê-los é um desrespeito com suas capacidades.
Ao contrário de celebrar ausências, que sejam honrados estes nomes que já foram testados e mostraram sua capacidade. Se o prefeito Roberto Naves se sente constrangido em elogiar sua equipe, que seu grupo seja reconhecido e aplaudido, por serem anapolinos – de nascença ou de coração – que neste momento abrem mão de seus fins de semana e horas vagas para se dedicar à cidade e a todos nós.
Que tenham sucesso e que possam ser bem orientados.
Cabe ao Líder orientar, motivar e posicionar as peças adequadas para os lugares certos a fim de fazer a engrenagem andar nos trilhos. Talvez este seja o verdadeiro desafio a ser vencido agora em Anápolis.
E, para este, tanto no mundo empresarial quanto na esfera pública, não tem dinheiro que o forje. O Líder é esculpido, trabalhado aprimorado, mas jamais inventado a partir do sublime Nada.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Câmara derruba veto de emendas no Orçamento, deixa Líder no contrapé e Gestão terá gastos de R$ 16 milhões a mais

A Política tem seus momentos de fascínio. Principalmente, quando o embate se dá por detalhes e, por conta deles, um cenário muda por completo. E foi isto o que ocorreu na manhã desta segunda-feira, 13, no plenário da Câmara Municipal.
Tudo começou quando foi colocado em votação o veto do Executivo às emendas feitas pelos vereadores ao Orçamento 2017. Ainda votado em 2016, as emendas eram de autoria tanto de parlamentares que não conseguiram a reeleição quanto diversos que estavam presentes, com direito a voto.
O líder do Executivo na Câmara, Jakson Charles (PSB), fez a defesa pelo veto por orientação dos interesses do gabinete, uma vez que isso geraria gastos: as emendas, somadas, chegam a representam R$ 16 milhões em investimentos.
O que faltou foi a combinação do Líder com os aliados do prefeito na Câmara Municipal. Isto porque o vereador Jean Carlos, que é do PTB – mesmo partido que Naves – iniciou um processo de lamentação pelo veto, uma vez que, segundo ele, suas emendas são conscientes e se alinham com a necessidade das regiões contempladas. Ao explicar a importância das suas propostas ao orçamento, o petebista puxou um cordel de lamentações de parlamentares que fizeram emendas que, agora, viam o veto ir por água abaixo.
O que não se imaginava é que os discursos da oposição, como do vereador Antônio Gomide e Geli Sanches – esta que também tinha emendas – acabaram por terminar de inflamar os demais vereadores. A tônica das falas era uma só: a limitação da atuação dos vereadores por terem suas propostas barradas.
Com isto, uma onda ganhou a Câmara: a de que o veto deveria ser derrubado.


O líder do prefeito Jakson Charles: defesa ao veto foi vencida pela própria base


Ausente
Estrategicamente, o resultado não poderia ser mais desastroso: o veto foi derrubado por unanimidade da Câmara Municipal, contando, inclusive com o voto do vice-líder do Executivo, Mauro Severiano (PSDB), ele próprio detentor de uma emenda no valor estimado de R$ 3 milhões.
Alterado com o comportamento do núcleo duro do Gabinete Municipal, Jakson Charles nem mesmo votou, abandonando a sessão durante o início da votação. Ele seria o único voto contrário. A partir daí o que se viu foi nervosismo generalizado no grupo governista, com direito a uma sequência de ligações do próprio prefeito a alguns vereadores.
Jakson Charles chegou a entregar a liderança do Executivo a Mauro Severiano e Jean Carlos, ambos integrantes da base mais sólida do prefeito Roberto Naves, mas que acabaram por impulsionar a votação. Assim como Severiano, Jeam tem três emendas que totalizam R$ 2,2, milhões.

Veja as emendas de cada parlamentar, com valores e descriminações:

Autor: Paulo de Lima (PDT) – ex-vereador
2ª etapa do Parque da Jaiara – R$ 3 milhões
Ampliação e reforma do PSF da Alexandrina – R$ 1 milhão
Implementação do campeonato de futebol amador – R$ 300 mil
Reforma do Parque da Matinha – R$ 500 mil
Construção do Hospital da Vila Jaiara – R$ 5 milhões

Autor: Jean Carlos (PTB)
Interligação entre o Polocentro e Adjacências e Morumbi e Adjacências - R$ 200 mil
Interligação viária entre Jaiara e Fabril – R$ 1 milhão
Parque Ambiental da Avenida Leopoldo de Bulhões – R$ 1 milhão

Autor: Geli Sanches (PT)
Reforma das escolas municipais Cora Coralina e José de Assis – R$ 1 milhão

Autor: Mauro Severiano (PSDB)

Interligação viária entre o Filostro Machado e o Recanto do Sol – R$ 3 milhões